Dormências e formigamentos

Dormências e Formigamentos nos membros.

Estas são realmente queixas muito frequentes nos consultórios de angiologistas e cirurgiões vasculares.

Será que os pacientes foram encaminhados ou estão procurando os especialistas corretos?

Vamos por partes:

Em primeiro lugar dormência e formigamento são sintomas, ou seja, é uma sensação que o doente refere, não é um sinal – algo que o médico possa observar.

Portanto para poder responder corretamente, temos que saber qual sistema é o responsável pelos sintomas sensitivos – a sensibilidade é a sensação que nos ajuda a interagir com o meio em que nos encontramos. Detecta calor, frio, textura dos objetos (liso, áspero, macio, duro, etc), sensações como vento, toque e outras.

Não é novidade para ninguém que o sistema responsável por estas sensações seja chamado de sistema sensitivo.

Mas ele é composto exatamente como?

Por incontáveis terminações nervosas dispostas na pele, mucosas e membranas que revestem as cavidades. Estas informações colhidas pelas terminações são conectadas com nervos que se juntam em feixes até alcançarem a parte posterior da medula espinhal. De lá seguem para o cérebro onde são interpretadas, momento no qual tomamos conhecimento do que está ocorrendo em determinado local do nosso corpo.

Quando por algum motivo esta sequencia é totalmente interrompida, sentiremos falta total de sensibilidade na área afetada (anestesia). Quando esta cadeia é interrompida parcialmente, nosso cérebro não recebe as informações completas para interpretá-las, e isto se manifesta como dormência ou formigamento. Costumo fazer uma analogia da seguinte maneira; imagine que você recebe uma ligação telefônica e a linha está péssima. Você sabe que tem alguém falando com você, mas não consegue entender quase nada do que ela fala – dormência. Quando você nem sequer consegue a linha telefônica, o telefone está mudo, seria a anestesia.

Então quando algo atrapalha o correto funcionamento dos nervos sensitivos, teremos as queixas de dormência ou formigamento, podendo chegar ao grau máximo, a anestesia.

E onde entra a circulação nestes casos?

Somente quando a circulação prejudica o correto funcionamento da inervação. No caso do Diabetes Melitus, ocorre comprometimento de vasos de pequeno calibre e da microcirculação. Esta, por sua vez é responsável pela nutrição dos nervos e feixes nervosos. Sendo assim, os nervos são afetados e não conduzem adequadamente os estímulos nervosos. Neste caso as queixas sensitivas costumam ser bilaterais e nas extremidades onde existem os feixes nervosos mais longos, isto é, nos pés (Pé Diabético).

A isquemia aguda, ou seja, falta de circulação repentina, também provoca falta de nutrição nos nervos e pode ser manifestada inicialmente por algum grau de dormência. Contudo, nestas situações o quadro é acompanhado de outros sinais e sintomas próprios das isquemias agudas, como, palidez, frialdade, dor e ausência de pulsos no membro afetado.

Colocando de um modo bem prático, e comparando com uma casa, poderíamos dizer que as queixas sensitivas seriam as correspondentes ao sistema elétrico enquanto as circulatórias seriam as correspondentes ao sistema hidráulico.

Portanto, assim como quando detectamos um problema “elétrico” chamamos um eletricista, ou seja, os problemas neurológicos devem ser vistos pelo neurologista, enquanto os problemas “hidráulicos” devem ser vistos pelo angiologista.

Ok?

dormencias