Meias elásticas, o que você deve saber sobre elas.

meias elásticasMeias elásticas, o que você deve saber sobre elas.

Dr. Abdo Farret Neto

 Principais modelos de meias elásticas

 Existem muitos modelos de meias elásticas, mas vamos falar sobre os mais comuns e com finalidades terapêuticas. Os modelos se diferenciam basicamente pelo comprimento, compressão, usos e tipos de tecidos.

tornozeleira elástica
Tornozeleira elástica

Quanto ao comprimento existem basicamente quatro tipos. As tornozeleiras (não eletrônicas…) que cobrem o pé deixando os dedos de fora e se estendem até logo acima do tornozelo.

meias elásticas
Meais 3/4

As que cobrem até logo abaixo do joelho (chamadas de ¾), as que se estendem até a metade da coxa e as meias calças.

 

 

Estas últimas possuem modelos para gestantes e são bem mais largas na cintura. De modo geral todas elas apresentam as opções de pé aberto (mantendo os dedos para fora) ou pé fechado. As de pé aberto apresentam a possibilidade de se calçar sandálias de dedos e são acompanhadas de uma calçadeira.

A calçadeira é um acessório de nylon que uma vez calçado no pé permite que a meia deslize facilmente sobre ele. Como a meia é aberta nos dedos, após vesti-la basta puxar a calçadeira e retira-la.

Vestindo a calçadeira

Existem ainda modelos específicos, como as meias com fechos de zíper ou com fechamento com Velcro para úlceras venosasas antitrombos para serem utilizadas durante certos tipos de cirurgias, e as meias para serem utilizadas ao final das cirurgias de varizes. Estas são vestidas ainda na sala de cirurgia e geralmente são compostas de duas meias para cada perna. Uma meia sem compressão, contendo fios de prata para um efeito bactericida e a outra externa a esta apresentando efeito compressivo.

Meias com zíper
Meias com zíper

Para os membros superiores, existem luvas elásticas e as braçadeiras, ambas deixando de fora os dedos das mãos.

Braçadeira elástica
Braçadeira elástica

 

 

Existem também uma grande quantidade de meias dedicadas às práticas esportivas, sendo quase todas elas ¾ (abaixo dos joelhos).

Quais as compressões mais comuns e suas indicações?

As meias elásticas apresentam variados graus de compressões que são medidos em milímetros de mercúrio (mmHg). Cada graduação de compressão tem as indicações de uso mais indicadas.

Vamos exemplificar algumas delas:

15 a 20 mmHg (suave compressão), indicadas como uso profilático para pernas cansadas e leves edemas vespertinos.

Meia calça
Meia calça

 

18 a 23 mmHg (antitrombos), indicadas para profilaxia da trombose venosa em pacientes acamados ou submetidos a procedimentos cirúrgicos. Também nesta faixa de compressão se encontram a maioria das meias para viagem e esportes.

Meias antitrombos
Meias antitrombos

20 a 30 mmHg (média compressão). São as mais utilizadas para fins terapêuticos, estando indicadas em casos de varizes, edemas e cansaços nas pernas.

Meias 3/4
Meias 3/4

 

30 a 40 (45) mmHg (alta compressão). São indicadas para estados avançados de insuficiência venosa crônica e edemas duros (de difícil resolução).

 

Como atuam as meias elásticas?

Em primeiro lugar é importante entender como as meias elásticas são confeccionadas e como funcionam. Os tecidos das meias são fabricados com vários de tipos de fios com propriedades elásticas. Existem tecidos elásticos feitos com fios puramente sintéticos e outros que misturam diversos tipos de fios com características diferentes. Assim se obtém tecidos com características climáticas, antialérgicos e com sensações tácteis muito diversas.

Ao vestirmos uma meia elástica ela causa uma pressão externa nos tecidos, principalmente na pele, subcutâneo, linfáticos e veias do sistema superficial. Esta pressão externa cria uma resistência dificultando a dilatação das veias, e criando resistência ao acúmulo de líquidos nos tecidos subcutâneos que é percebido como edema.

Quando devo vestir as meias elásticas?

Vamos raciocinar…Se as meias servem para evitar edema e as sensações de desconforto causadas por ele e pelas veias dilatadas, então é fundamental que sejam vestidas antes do edema se estabelecer, ou seja pela manhã. De modo geral o edema não se estabelece de modo súbito, portanto há tempo para o paciente levantar fazer sua higiene matinal e após isto vestir sua meia como calçaria uma meia comum.

Nos casos de edemas muito pronunciados (importantes) que já estão presentes ao amanhecer, então sugerimos que o doente já durma com os pés da cama elevados por 15 a 30cm (posição de Trendelemburg). Assim, pela manhã as pernas estarão desinchadas e ele poderá calçar as meias da maneira já descrita. 

Quais são as principais indicações?

As indicações podem ser divididas em profiláticas e terapêuticas (tratamentos).

Os usos profiláticos são recomendados para pessoas que passam longos períodos com pouca movimentação, como em viagens longas, balconistas, plantonistas, e situações correlatas. Também no uso profilático são enquadradas as meias antitrombos utilizadas em cirurgias ou em pacientes acamados.

Nas utilizações terapêuticas se enquadram principalmente os casos de edemas, varizes de diversos estágios, situações de insuficiências venosas, úlceras venosas, pós tromboses venosas e meias pós cirúrgicas. 

Quem não deve utilizar?

Pela característica de apertarem os tecidos elas não devem ser utilizadas em pacientes com insuficiência arterial no membro afetado, pois dificultariam ainda mais a circulação arterial e tecidual já precárias.

Também é controversa a utilização nas fases agudas de tromboses venosas superficiais (tromboflebites) e profundas (TVP). Nestes casos é imprescindível ter-se a opinião de um especialista.

Para concluir

As meias elásticas podem apresentar um importantíssimo papel no tratamento e profilaxia de diversas doenças e situações no campo das doenças circulatórias venosas e linfáticas. Contudo, a decisão quanto ao uso e o modelo a ser utilizado devem ser tomadas em conjunto pelo paciente e o seu médico.

Principais fabricantes de meias elásticas disponíveis no Brasil, em ordem alfabética:

Kendal

Medi

Sigvaris

Venosan